Por que há tanto interesse nos jogos sociais

Postado em: 30 de julho de 2010   |   Categoria: Blog

Por RENAN DISSENHA FAGUNDES para Época Online

Social City no Facebook

Social City no Facebook

Quem usa o Facebook provavelmente já se deparou no site com alguma menção ao FarmVille, ou ao Mafia Wars, ou a algum outro game social. Esses joguinhos são simples, rodam no perfil do usuário na rede social e servem para interagir com os amigos. Embora algumas pessoas considerem eles perda de tempo, os jogos sociais são extremamente populares: o FarmVille tem 59 milhões de usuários ativos (já teve 83 milhões) e outros 21 games têm mais de 10 milhões de usuários ativos. Além de ajudarem a explicar o sucesso do Facebook, os jogos sociais se tornaram uma opção para a indústria do entretenimento.

Duas das maiores produtoras de jogos sociais foram compradas recentemente por grandes companhias. Em novembro de 2009, a Electronic Arts - dona de títulos clássicos de videogames e computador comoFifa, Need for Speed e The Sims - comprou a desenvolvedora Playfish por US$ 275 milhões. Agora, na terça-feira (27), a Walt Disney anunciou a compra de outra produtora de games sociais, a Playdom, por US$ 563,2 milhões. Com dois anos de existência, a Playdom é a dona do jogo mais popular do MySpace e é a quarta em popularidade no Facebook.

O que permitiu o surgimento dessa indústria foi o crescimento massivo das redes sociais. O Facebook, por exemplo, é um mercado de 500 milhões de pessoas. Depois, os jogos sociais conseguiram transformar usuários de internet em jogadores – mesmo aqueles que nunca haviam jogado em nada: nos Estados Unidos quase 60% dos usuários do Facebook jogam algum desses games. Mas isso sozinho não explica por que há tanto interesse financeiro nessas empresas. O mais importante é: além do número alto de usuários, e apesar de seus jogos serem gratuitos, as desenvolvedoras de games sociais são lucrativas.

Só nos EUA, o mercado de games sociais foi de US$ 700 milhões em 2009. A Playdom faturou US$ 50 milhões no ano passado. Cerca de 75% desse valor veio da venda de produtos virtuais para os jogadores: metralhadoras que ajudam a matar seus inimigos ou ferramentas que te fazem um fazendeiro melhor. Nesse campo, ninguém bate a Zynga, dona de seis dos 10 jogos mais populares do Facebook, incluindo o FarmVille – por mês, mais de 200 milhões de pessoas jogam os games da empresa. A Zynga arrecadou US$ 250 milhões em 2009 quase só com venda de produtos virtuais, e esse número deve subir para US$ 450 milhões em 2010, o terceiro ano de existência da Zynga.

Até o Google já começou a se interessar por esses programinhas. Há rumores de que empresa investiu algo entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões na Zynga. Segundo o Wall Street Journal, o Google estaria tendo conversas com desenvolvedoras de games sociais – incluindo a Zynga, a Playfish da EA e a Playdom – para criar uma rede social que possa concorrer com o Facebook. O CEO do Google, Eric Schmidt, não confirma a existência do projeto. Mas quando o WSJ perguntou se um novo serviço hipotético do Google se pareceria com o Facebook, Schmidt afirmou que o “mundo não precisa de uma cópia da mesma coisaâ€. Schmidt afirmou, entretanto, que uma parceria com a Zynga será anunciada em breve.

Para empresas como a Disney e a EA, a compra dessas produtoras é uma abertura para um novo público. O CEO da Walt Disney Company, Robert A. Iger, afirmou depois da compra da Playdom que o negócio faz parte da estratégia da Disney de investir em empresas que possam apresentar o conteúdo da Disney “de uma forma criativa e atraente para uma nova geração de fãs nas plataformas que eles preferem”. A Walt Disney Company é dona de marcas como Marvel e ESPN. A Electronic Arts já se beneficia disso: um jogo social usando a marca EA Sports Fifa já tem quase 5 milhões de jogadores.

Independentemente da plataforma – no Facebook, em um possível novo serviço Google, em aplicativos para iPhone e iPad – os jogos sociais já fazem parte do futuro do entretenimento na internet. “Estamos diante de uma oportunidade única para transformar a maneira como as pessoas de todas as idades jogam com seus amigos através de dispositivos, plataformas e fronteiras geográficas”, afirmou o CEO da Playdom, John Pleasants, ex-funcionário da Electronic Arts, depois que a Playdom foi comprada pela Walt Disney Company.

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